Pode achar a tarefa enfadonha e demorada, mas a garantia de que, em caso de sinistro, receberá a quantia necessária para substituir mobílias, eletrodomésticos e o restante recheio da sua casa, faz com que valha cada minuto perdido.

Para determinar o valor do recheio de sua casa, o melhor é munir-se de papel, lápis e calculadora. Faça uma lista de todos os objetos que possui e considere o valor que teria de pagar se tivesse que os adquirir no momento de subscrição ou renovação da apólice. Calcule 10% desse montante e adicione-o, para prever eventuais aumentos de preço quando se der o sinistro.

Para garantir que, em caso de sinistro, recebe a quantia correta em relação aos seus bens, o capital seguro deve ser equivalente ao valor de substituição em novo. Existem apenas duas exceções a esta regra. Saiba quais são na rubrica objetos especiais.

Em caso de sinistro, algumas apólices podem reduzir o valor da indemnização em função da antiguidade dos objetos, de modo a refletir a depreciação pelo uso. Há seguradoras que não pagam qualquer indemnização por danos causados em máquinas ou equipamentos adquiridos há mais de 8 anos (TV ou vídeo, por exemplo) ou há mais de 5 anos se se tratar de equipamento informático.

Sempre que possível, prefira apólices que pagam a indemnização por inteiro, independentemente da antiguidade dos bens.

Objetos especiais

Há um conjunto de objetos que, pelo seu valor elevado, são considerados objetos especiais. Além das peças de arte e antiguidades, integram também este grupo os aparelhos fotográficos, de som e imagem, jóias, coleções, armas e casacos de pele.

Para que, em caso de sinistro, seja devidamente indemnizado, estes objetos deverão ser discriminados e valorizados individualmente na apólice pelo seu valor real, recorrendo-se para isso aos valores do mercado da especialidade. Caso contrário, a seguradora paga-lhe um valor máximo por objeto que, regra geral, não ultrapassa os 1500 euros.

No seu conjunto, o valor dos objetos não deverá ultrapassar uma determinada percentagem do capital do recheio (por norma, 30%), sob pena de o segurado ter de pagar um sobreprémio.

Atualização do capital

O valor dos bens não se mantém constante ao longo do tempo. Por esse motivo, o capital seguro é atualizado anualmente de forma automática, com base nos índices publicados trimestralmente pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF). Esses índices são três e pretendem refletir a variação dos preços em função da inflação. Aplicam-se:

  • ao valor do recheio da habitação;
  • ao valor do edifício;
  • ao valor conjunto da habitação e do recheio, quando estas coberturas são contratadas em simultâneo.

Relativamente ao capital seguro para o recheio, como ao longo dos anos se vão habitualmente comprando outros móveis, utensílios, objetos decorativos, máquinas, etc., o mais aconselhável será voltar a munir-se de papel, lápis e calculadora em cada 4/5 anos e atualizar os valores.